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Luxação de Patela em Cães: Um Guia Completo para Criadores

Luxação de Patela em Cães: Um Guia Completo para Criadores

05/03/2026 | Por Beatriz Taques

A luxação de patela é uma condição ortopédica comum em cães, caracterizada pelo deslocamento da patela de sua posição normal no sulco troclear do fêmur, resultando em instabilidade na articulação do joelho. Essa afecção pode ser congênita ou traumática, sendo a forma congênita mais frequentemente observada em raças de pequeno porte. Estudos indicam que a luxação medial da patela é mais prevalente em fêmeas e promove claudicação com vários graus de intensidade. Raças como Poodle, Yorkshire Terrier, Shih Tzu, Dachshund, Pequinês, Lhasa Apso, Lulu da Pomerânia, Chihuahua, Bichon Frisé e Pug são particularmente predispostas, enquanto, em cães de grande porte, a condição é mais frequente no Cocker Spaniel, Labrador Retriever, Bulldog Inglês e Golden Retriever. 

A luxação de patela ocorre devido a anomalias no desenvolvimento do membro, que criam desalinhamento do complexo do quadríceps, composto pelo músculo quadríceps, patela e ligamento patelar. As anormalidades anatômicas associadas incluem torção lateral da porção distal do fêmur, deslocamento medial do grupo muscular do quadríceps, arqueamento lateral do terço distal do fêmur, displasia da epífise femoral, instabilidade rotacional da articulação do joelho e deformidade tibial. Acredita-se que a luxação congênita tenha um forte componente hereditário, sendo provavelmente poligênica e multifatorial. Por esse motivo, recomenda-se que animais sejam examinados e classificados através de laudos de luxação de patela para que sejam feitos acasalamentos que visam diminuir o problema em raças em que o problema é muito comum. Assim o proprietário da criação pode assegurar-se juridicamente que tomou as devidas atitudes para evitar o problema, sem agir de má fé ou com imprudência na reprodução dos cães. 

Não existe a possibilidade de garantia de saúde quanto à luxação de patela, assim como com a displasia coxofemoral, por ser uma afecção poligênica e multifatorial, mas existe a possibilidade de comprovação de utilizar cães saudáveis na reprodução. Os sinais clínicos variam conforme a gravidade da luxação e podendo variar em ausência de sinais clínicos mesmo em graus mais severos até incluir claudicação intermitente ou contínua, dor, relutância em caminhar ou subir em camas, sofás e escadas, além de inchaço anormal do membro afetado. Alguns cães também apresentam uma postura atípica ao caminhar, como esticar a perna para trás. Em casos mais severos, a dificuldade de locomoção pode ser significativa. O diagnóstico é baseado na anamnese, exame físico e exames de imagem. Durante o exame clínico, o veterinário avalia a estabilidade da patela e identifica sinais de dor ou desconforto. Radiografias auxiliam na confirmação do diagnóstico em casos mais severos e na detecção de deformidades ósseas associadas, como osteófitos periarticulares indicativos de osteoartrite. O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico, dependendo do grau da luxação e da intensidade dos sinais. O manejo conservador é indicado para luxações de grau 1 ou 2, especialmente em cães assintomáticos ou com sintomas leves, e inclui controle de peso, f isioterapia para fortalecimento muscular e modificação de atividades para evitar sobrecarga na articulação. Já o tratamento cirúrgico é recomendado para luxações de grau 3 ou 4 ou para casos nos quais o manejo conservador não alivia os sinais. 

As técnicas cirúrgicas visam realinhar o mecanismo do quadríceps e estabilizar a patela no sulco troclear. Entre os procedimentos mais utilizados estão a transposição da tuberosidade tibial, o aprofundamento do sulco troclear e a reconstrução dos tecidos moles ao redor da patela. O prognóstico pós-cirúrgico é geralmente favorável para luxações de grau 1 a 3, com a maioria dos cães retornando à função normal do membro. No entanto, em luxações de grau 4, o prognóstico pode ser mais reservado, exigindo um período mais prolongado de reabilitação. A luxação de patela é uma condição que pode comprometer a qualidade de vida dos cães, sendo fundamental que criadores e tutores reconheçam precocemente os sinais clínicos e busquem intervenção adequada. O diagnóstico precoce e a abordagem terapêutica correta garantem maior bem-estar aos animais afetados, evitando progressão de artrose rapidamente e rupturas de ligamento cruzado cranial.

Alessandra Ventura

Graduação em Veterinária pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2011), mestrado (2015) e doutorado (2019) em Ciências Veterinária na área de cirurgia e anestesiologia de pequenos animais na UFRGS, com ênfase em ortopedia e traumatologia veterinária. Curso de especialização em Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais pelo Instituto Qualittas (2018). Atualmente professora e coordenadora do curso de pós-graduação de ortopedia e traumatologia de pequenos animais do IBMVET e pós-graduada em Obstetrícia e Pediatria pelo IEP Ranvier.

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