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Displasia coxofemoral: fatores que influenciam além da genética.

Displasia coxofemoral: fatores que influenciam além da genética.

12/03/2026 | Por Beatriz Taques

Displasia coxofemoral: fatores que influenciam além da genética. 

 Por Dra. Alessandra Ventura Silva 

Doenças crônicas e degenerativas influenciam no dia-a-dia da vida do animal e acarretam perda na qualidade de vida tanto para ele, como para que família faz parte. A displasia coxofemoral é a doença ortopédica mais comum na rotina ortopédica veterinária de pequenos animais e pode ser amenizada com mudanças de manejo. Quanto antes prevenirmos a piora, por mais tempo haverá qualidade de vida sem grandes intervenções. 

Mas quando intervir? A displasia coxofemoral é uma doença ortopédica degenerativa, proveniente de diversos problemas como arrasamento do acetábulo, desvios angulares femorais e hiperlastidão ligamentar. Inicialmente, há instabilidade da articulação e, a longo prazo, há início de alterações em cartilagem hialina, iniciando o processo de osteoartrose que é a degeneração articular propriamente dita. Após a perda da cartilagem hialina, não há como ser restaurada e iniciam problemas secundários que levam à baixa nutrição das células ainda saudáveis da articulação. Como processo degenerativo crônico, não há possibilidade de cura, somente uso de artifícios para diminuir a velocidade da doenças e manejo de dor. 

É sabido que a doença em cães é multifatorial, ou seja, há elemento genético e ambiental. O manejo correto inicia no planejamento das cruzas, fazendo a avaliação dos animais através de radiografia e análise das gerações anteriores e seus respectivos exames radiológicos. Ainda antes do nascimento dos filhotes, durante a gestação, eles já tem influencia do ambiente. Hormônios, assim como a alimentação e suplementação errônea da matriz durante essa fase importante podem acarretar em problemas ortopédicos. 

A partir do nascimento até o final da vida do animal, o peso, o piso e o nível de atividade física irão influenciar diretamente no agravamento e aparecimento de sinais clínicos da displasia coxofemoral. O sobrepeso afeta negativamente, não sendo desejado mesmo durante a fase neonatal. O piso escorregadio já tem influência sobre as articulações desde o primeiro dia de vida, devendo ser evitados. Caixas de amamentação e incubadoras podem ser forrados com tapetes antiderrapantes para evitar que, na fase de desenvolvimento mais acelerado do animais, eles já estejam expostos à instabilidade articular. Excessos não são bem-vindos, logo cães sedentários, assim como cães com excesso de atividade são mais predispostos a lesões articulares, principalmente quando ainda são imaturos. Há fortes evidências que castrações realizadas anteriormente à maturidade sexual, prejudicam o desenvolvimento musculoesquelético dos animais. 

Os fatores externos que influenciam a displasia coxofemoral, acarretam piora no seu desenvolvimento. O aparecimento dos sinais clínicos e o prejuízo na qualidade de vida dos cães são uma soma da genética com manejo, sendo necessária a atuação em todos os pontos para evitar problemas futuros. É importante atuar em todos os pilares para alcançar o sucesso. 

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