Aumento da frequência do alelo diluidor na raça Bulldog Americano através de retrocruzamento com Olde English Bulldogge, Teresópolis, RJ
26/12/2012
| Por Beatriz Taques
Aumento da frequência do alelo diluidor na raça Bulldog Americano através de retrocruzamento com Olde English Bulldogge, Teresópolis, RJ
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro Universitário Serra dos Órgãos para obtenção de graduação em Medicina Veterinária.
Orientadora: Roberta Rollemberg Cabral Martins
Teresópolis/ RJ
Novembro de 2012
Trabalho de Conclusão de Curso aprovado como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Medicina Veterinária na Fundação Educacional Serra dos Órgãos pela banca examinadora:
Certificamos que o Trabalho de Monografia de conclusão de curso intitulado “Aumento da frequência do alelo diluidor na raça Bulldog Americano através de retrocruzamento com Olde English Bulldogge, Teresópolis, RJ”, protocolado sob o n.º 369 solicitado pela aluna do Curso de Bacharelado em Medicina Veterinária, Beatriz Taques Martins e sob orientação da Profª. Roberta Rollemberg Cabral Martins, foi aprovado pela Comissão de Ética no Uso com Animais do UNFESO, em reunião ordinária realizada em 08/11/2012.
Teresópolis, 08 de novembro de 2012
CENTRO UNIVERSITÁRIO SERRA DOS ORGÃOS - UNIFESO
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
CURSO DE BACHARELADO EM MEDICINA VETERINÁRIA
RESUMO
Os cães da raça Bulldog Americano são utilizados atualmente com o principal propósito de guarda residencial e companhia, sendo assim, a raça vem se popularizando e com isso ganhando espaço no mundo das exposições caninas, fazendo com que os compradores se tornem cada vez mais exigentes e procurem por cães esteticamente mais atraentes, saudáveis e com temperamento estável. Embora a coloração tigrada ainda seja predominante, esta pelagem é geralmente a menos procurada pela população, e por isso normalmente possui um menor valor agregado. Cães com coloração diluída, como o Azul e o “Fawn” são muito raros na raça Bulldog Americano, contudo, este padrão de cor tem sido muito valorizado. Atualmente vários criadores estão fixando o alelo diluidor em diversas raças, como American Bully, Bulldog Francês, Olde English Bulldogge, American Staffordshire Terrier, Staffordshire Bull Terrier e Bulldog Campeiro. Este trabalho teve como objetivo aumentar a frequência do alelo diluidor na raça Bulldog Americano através de retrocruzamento com Olde English Bulldogge, no Canil Sunshine Land. Na segunda semana de fevereiro de 2012, um cão da raça Olde English Bulldogge, de pelagem Azul foi acasalado com uma matriz da raça Bulldogue Americano, com pelagem chocolate. Dos 10 filhotes nascidos, 8 apresentaram fenótipo diluído, sendo 4 Azuis e 4 Isabellas.
The American Bulldog breed are used nowadays mainly as guard and companion dogs, so the breed has become more popular and taking more space in dog show world, making buyers to get more exigent and to look for dogs esthetically more attractive, healthier and with a stable temperament. Despite the brindle color is still predominant, this coat is usually less wanted by buyers, and for this reason has a lower value. Diluted colors like Blue and Fawn are very rare in the American Bulldog breed, however this standard has been very valued. There are several breeders who are setting the diluting allele in several breeds, like American Bully, French Bulldog, Olde English Bulldogge, American Staffordshire Terrier, Staffordshire Bull Terrier and Bulldog Campeiro (Brazilian breed). This study aimed to increase the diluting allele frequency in the American Bulldog breed through the backcross with the Olde English Bulldogge, at Sunshine Land Kennel. In the second week of february 2012 a blue coat Olde English Bulldogge was bred to a chocolate coat American Bulldog female. From 10 pups that were born, 8 presented diluted phenotype, being 4 Blue and 4 Isabellas.
Keywords: American Bulldog, Diluting gene, Backcrossing
1 INTRODUÇÃO
A raça canina Bulldog foi inicialmente desenvolvida pelos ingleses, que criavam esses cães para combates em coliseu contra touros, ursos e diversos animais selvagens. Posteriormente os cães foram levados por imigrantes ingleses para a América do Norte, os quais eram utilizados para ajudar na pecuária, proteção contra animais selvagens e segurança de fazendas.
Nos anos 70, John D. Johnson e Alan Scott, criadores e estudiosos da raça, começaram a catalogar e registrar os cães dessa raça, e lhes atribuíram o nome “American Bulldog”, conhecido no Brasil como “Buldogue Americano” ou “Bulldog Americano”.
A formação da raça foi composta principalmente por cães de pelagem branca, tigrada de preto e dourada, poucos exemplares de cor chocolate e raríssimos cães azuis (cães com alelo diluidor da cor - dd).
Com o passar dos anos, cães com pelagem e mucosas de cor chocolate, tornaram-se a preferência de um grande número de criadores e também dos admiradores desta raça. Sendo assim, foi realizada uma intensa seleção genética visando aumentar a incidência dessa cor na raça, fazendo com que a mesma passasse a representar uma grande parcela dos Bulldogs Americanos atuais.
Com relação a coloração azul, fenótipo diluído do preto, em 1994 já se tinha relato de uma fêmea da criação do Sr. John D. Johnson, denominada “Johnson's Savannah”, com pelagem tigrada com o gene diluidor, conhecida como “blue brindle” (azul tigrado). Entretanto, cães com a cor azul continuam sendo muito raros.
Atualmente no Brasil, a raça é vendida com o principal propósito de guarda residencial e companhia, existindo um baixo percentual de cães que trabalha em fazendas. A raça vem se popularizando e ganhando espaço no mundo das exposições caninas, diante disso os compradores estão se tornando cada vez mais exigentes e procurando por cães esteticamente mais atraentes, saudáveis e com temperamento estável.
Cães tigrados de preto, são geralmente os menos procurados pela população, e por isso normalmente possuem um menor valor agregado. Atualmente vários criadores estão fixando o alelo diluidor em diversas raças, fazendo com que os animais se tornem muito valorizados por sua cor exótica (azul). Hoje percebe-se grande aumento da frequência do alelo diluidor (dd), principalmente nas raças American Bully, Bulldog Francês, Olde English Bulldogge, American Staffordshire Terrier, Staffordshire Bull Terrier e Bulldog Campeiro, que estão sendo amplamente procuradas por compradores do mundo inteiro. Em algumas raças os exemplares dessa cor estão sendo comercializados com valores altíssimos, chegando a quase o triplo do valor dos cães com cores não diluídas.
Este trabalho teve como objetivo aumentar a frequência do alelo diluidor na raça Bulldog Americano através de retrocruzamento com Olde English Bulldogge, no Canil Sunshine Land, sem contudo perder o foco da padronização da raça, e com isso agregar valor.
2 REVISÃO DE LITERAURA
2.1 A HISTÓRIA DO BULLDOG AMERICANO
A história do Bulldog Americano começa nas montanhas do Tibet, onde os cães Molossos ou os cães do tipo Mastiff surgiram. Eles descendem do grande lobo tibetano, os quais ainda existem no norte da Índia e Tibet. Provavelmente os chineses foram os primeiros povos a criar os verdadeiros Mastiffs, suas literaturas contêm referências de grandes cães de caça, de focinho curto e mandíbulas largas, por volta de 1.121 a.C. Esses cães eram usados para caçar animais perigosos como tigres, javalis selvagens ou ursos. A marca registrada desses monstros caninos sempre foi o tamanho, a relativa lentidão (comparado com os Greyhounds e os maiores Terriers) e habilidade excepcional para se defender (PUTNAM, 1999).
Esculturas em pedras mostraram um cão musculoso, de pelo curto, sólido, e desprovido do excesso de pele como os Molossos de hoje. Comparado com o Mastiff inglês de hoje, o molosso ancestral tinha menos da metade do tamanho e a conformação semelhante à de um American Pit Bull Terrier de ossatura pesada. Não há duvidas de que esses cães também eram robustos, com membros bem posicionados e sem a displasia dos Mastiffs de exposições de hoje (PUTNAM, 1999).
Alexandre “O Grande” trouxe mais Mastiffs da Índia para a Grécia por volta de 333 a.C, a Grécia foi o centro da criação de Mastiffs por 700 anos, até que os cães ingleses se tornaram predominantes. Em aparência e talvez em temperamento o cão mais próximo do Mastiff grego seria o Swinford Bandog, que é uma combinação do atlético Mastiff Napolitano, Mastiff Inglês e do Pitbull. Os Swinfords têm corpos grandes (não enormes), musculosos, com cabeças sólidas de tamanho médio semelhante à de um Pitbull (PUTNAM, 1999).
Júlio César pode ter encontrado os Mastiffs Ingleses quando ele fez o seu ataque inicial na Inglaterra em 55 a.C. A lenda diz que ele ficou tão impressionado com a ferocidade dos musculosos cães de guerra, que estavam sendo utilizados pelas tribos Celtas, que ele trouxe alguns de volta com ele (PUTNAM, 1999).
Supostamente os Celtas criaram os cães e os treinaram para morder o focinho dos cavalos da cavalaria. Os Bulldogs antigos segurariam os focinhos dos cavalos até que eles começassem a pular e derrubar seu condutor. Os Bulldogs Americanos e os American Pit Bull Terrier modernos que são capazes de imobilizar um cavalo desta maneira pesam entre 45 e 100 libras (1 libra equivale a aproximadamente 0,4536 quilogramas). Os cães britânicos ancestrais provavelmente tinham o mesmo tamanho, e para os padrões da época estes cães eram enormes. Hoje são conhecidos pelo seu nome latino “Pugnaces”, e por causa da sua maneira de atacar pode-se dizer com confiança que os Pugnaces eram verdadeiros Bulldogs, talvez os primeiros do mundo (PUTNAM, 1999).
Os Pugnaces eram marrons claros com máscara preta ou eram tigrados escuros, cores semelhantes à do Bull Mastiff de hoje, no entanto os Pugnaces eram muito mais esguios. Se pudéssemos voltar numa maquina do tempo, as pessoas os confundiriam com um Pitbull grande ou um pequeno Bandog (PUTNAM, 1999).
Algumas tribos Celtas também criaram os seus Pugnaces para caçar javalis selvagens, o que era considerado um animal mágico na Bretanha antiga. Eles eram usados junto com cães farejadores, pois são cães de aprisionar e não cães de faro. Os farejadores teriam contado com a proteção dos Pugnaces contra javalis ou ursos. A caça era uma experiência mística e religiosa para os Celtas (PUTNAM, 1999).
Por volta de 300 d.C. os romanos reconheceram a superioridade dos cães britânicos para uso em batalhas. O imperador estabeleceu um oficial especial chamado “procurador cinófilo” que atuou fora de Winchester. Seu trabalho era o de encontrar o mais robusto e agressivo cão de combate na Bretanha e mandá-lo para Roma.
Eles embarcaram dois tipos de Mastiffs: 1- um cão mais leve (bem abaixo de 100 libras) para combate no Coliseu contra touros, lobos e pequenos felinos. 2- um cão mais pesado (em torno de 100 libras) para lutar contra lobos, grandes felinos e desafiadores exóticos como hienas (PUTNAM, 1999).
Há evidências de que os romanos na verdade se referiam aos Bulldogs como cães mais leves, e também relatos de que eles eram capazes de quebrar o pescoço de um boi e eram transportados em jaulas de ferro. Os romanos amavam tanto estes cães que eles desistiram de importar cães de luta da Grécia, que havia sido a sua principal fonte por séculos. Isto deve ter sido um golpe para os criadores de cães gregos, porque o nome “Molossus” é derivado de uma região do norte da Grécia, chamada Molossia, cujo nome vem de uma tribo chamada Molossi (PUTNAM, 1999).
Ainda hoje, existem dois tipos de Mastiffs na Itália, que descendem dos primeiros Pugnaceos ingleses: os Napolitanos de 90 a 150 libras e os Cane Corsos abaixo de 100 libras. O Cane corso ainda é usado por fazendeiros italianos como um Bulldog de trabalho e deve ter seus ancestrais em comum com o Bulldog Inglês, Bulldog Americano e Pitbull (PUTNAM, 1999).
Vários séculos depois o novo tipo de Mastiff chegou à costa britânica, trazidos para a Europa por nômades chamados Alanis, que foram expulsos da Ásia pelos Huns. Os Alanis vagaram pela Europa e finalmente se estabeleceram no que hoje é chamado de Albânia, uma região não distante da Molossia. Os seus cães ficaram conhecidos como Alants ou Alaunts na Inglaterra na idade media. Os Alants foram descritos como sendo brancos (algumas vezes com manchas escuras nos olhos), cabeça grande, focinho curto e eram excelentes para caça de Javalis selvagens. Este é o segundo tipo de Bulldog a ser criado na Bretanha. O Bulldog Americano moderno se encaixa perfeitamente na descrição acima. É possível que o Alant seja o ancestral mais direto do Bulldog Americano, Pitbull, Sour Mug, Bulldogue Espanhol e Dogo Argentino (PUTNAM, 1999).
Há descendentes diretos dos Alants vivos hoje e que são menos conhecidos. Nas regiões montanhosas entre Turquia e Índia há grandes Mastiffs brancos que ainda são usados em batalhas contra ursos (PUTNAM, 1999).
Os cães ingleses eram submetidos a uma pressão de performance muito maior que seus primos da Europa. A seleção da criação não era feita diretamente pelo homem através de ezoognózia como é hoje com cães de exposição, mas por uma seleção dos que melhor executavam as lutas com outros animais, essa seleção durou mais de 1.450 anos. Por este vasto período de tempo, surgiu um cão de bravura inacreditável: Os Olde English Bulldogges. Havia relatos de que esses cães eram capazes de segurar nos lábios de um touro, mesmo depois que suas vísceras tivessem sido arrancadas. Algumas vezes os açougueiros sujeitavam seus Bulldogs a níveis de crueldade inimagináveis para provar sua capacidade de combate, chegavam a cortar seus membros enquanto o cão estava preso mordendo seu adversário até que seu sangue fosse totalmente drenado. Um grande Bulldog seguraria a presa mesmo com a mutilação (PUTNAM, 1999).
Os Bulldogs e os Pitbulls de performance são os animais mais corajosos que surgiram na Terra. Existem relatos de que estes cães são mais corajosos do que os leões, pois, um leão normalmente não ataca um elefante adulto, já um Bulldog de combate realizaria um ataque se ordenado, ele poderia não sobreviver, mas morreria tentando (PUTNAM, 1999).
Na era Elisabetana, algumas linhagem de Bulldogs se tornaram mais especializadas em batalhas, sendo menores e mais ágeis (PUTNAM, 1999).
Quando a batalha contra touros se tornou mais popular, os Greyhounds e os Terriers provavelmente foram adicionados aos Bulldogs para aumentar a velocidade e reduzir o tamanho (PUTNAM, 1999).
Um indício de superioridade dos Olde English Bulldogges era a sua exportação para todas as partes da Europa, apesar destes países já terem suas próprias linhagens. Charles V da Espanha importou 400 cães da Inglaterra para se preparar para a guerra contra a França em 1518. Estes cães destruíram os cães de guerra franceses, e se tornaram famosos por toda a Europa (PUTNAM, 1999).
Em 1.588 os Olde English Bulldogges foram exportados não só para Espanha, mas para Cuba e Flórida, onde eles eram usados em esportes agressivos. Foram os primeiros Bulldogs na América, e possivelmente um ancestral do atual Bulldog Americano (PUTNAM, 1999).
Há duas razões para a variedade de tipos encontrada nos Bulldogs: 1- os cães não eram somente usados para batalha com touros, mas também em lutas contra ursos, atividades estas que exigiam deles tamanho e conformação diferentes. 2- uniformidade na aparência é um fenômeno moderno encontrado em cães de exposição, há 150 anos, antes das exposições caninas todas as raças mostravam grande variedade, os cães eram criados para performance, ninguém ligava para aparência (PUTNAM, 1999).
Dentro da raça Olde English Bulldogge essa variedade era mais pronunciada nos séculos XVI e XVII porque estava no auge da batalha contra ursos na Inglaterra, o que exigia cães maiores e mais robustos, diferentes dos que lutavam contra touros. Então as duas linhagens cresceram de forma distinta nessa época. Em 1.609 um dramaturgo inglês menciona “BullDogs” e “BearDogs” como se fossem raças distintas. Os maiores, denominados “BearDogs” também eram chamados de “BanDogges” no séc. XVII. Os BanDogges eram descritos como enormes, feios e temerosos. Além das batalhas contra ursos e do trabalho de guarda eles eram usados em lutas contra leões, conforme o apetite inglês por esportes sangrentos aumentava. Algumas vezes eles eram colocados em arenas contra um homem armado com uma lança, sem duvidas um bom teste para o trabalho de guarda desta raça (PUTNAM, 1999).
No séc. XVII, com a colonização dos Ingleses na América, a história dos Bulldogs e Bandoggs continuava na Nova Terra (PUTNAM, 1999).
Em 1.835 as lutas entre cães e outros animais foram proibidas na Inglaterra, havendo um rápido declínio dessas linhagens. Com isso a prática de combate entre cães substituiu as lutas destes contra outros animais, cuja proibição somente se deu na virada do século XIX (PUTNAM, 1999).
Supostamente na luta entre cães, o sangue Terrier teria sido necessário para eliminar a tendência do Bulldog de pegar um objeto e segurar, o que tornaria a luta entre cães entediante; o menor tamanho aumentava a resistência dos cães e faziam com que as lutas durassem mais.
Os Bulldogs foram cruzados com Terriers para fazer Pitbulls ou cruzados com Pugs para fazer o “Sour Mugs”, e com isso estavam se tornando extintos em seu país de origem. Muitos foram exportados para a América para fazer Boxers, Bulldogs Americanos e PitBulls (PUTNAM, 1999).
Em uma tentativa de salvar este símbolo da coragem inglesa, o primeiro show canino para Bulldogs foi realizado em 1.860. O padrão usado foi uma forma levemente exagerada do cão de trabalho original, esses cães deveriam ter pernas longas e se parecer com Bulldogs Americanos de focinho curto ou Boxers de focinho médio (CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE CINOFILIA, 2005).
A diferença entre os padrões modernos e as linhas dessa época, é que os criadores levaram a criação tão a sério, que os cães eram primeiramente funcionais, sendo a preocupação com a conformação para exposições, secundária (PUTNAM, 1999).
Em 1.870 os tipos intermediários de “Sour Mug” começaram a ganhar Exposições, cães que claramente não tinham o biótipo de cães funcionais. Desde então a maioria das linhas de Bulldog de exposição foram se tornando cada vez mais exageradas e menos saudáveis, enquanto uma minoria de criadores continuava a produzir Bulldogs funcionais. Com isso houve uma grande pressão para que o padrão permitisse uma aparência “extremada”. Um violento debate ocorreu no final do século 19 a respeito da mudança do padrão, assim como acontece hoje em dia nas comunidades de Bulldogs. Hoje na América poucos criadores querem somente uma leve tipicidade suficiente para distinguir os Bulldogs Americanos dos American Pit Bull Terrier, enquanto a maioria quer cães realmente grandes, extremos, verdadeiramente semelhantes a Bulldogs Ingleses gigantes (PUTNAM, 1999).
No final do século XIX os criadores de Bulldogs funcionais da Inglaterra desafiaram os criadores de “Sour Mug” a fazerem provas de caminhada de longa distancia. A questão não era se os “Sour Mugs” extremos poderiam vencer os menos extremos, mas que eles não seriam capazes de ao menos concluir um trajeto de 10 milhas. O primeiro desafio resultou no colapso do Bulldog “extremado” depois de duas milhas. Essas demonstrações de falta de utilidade não serviram pra mudar nada, pois, o “inbreeding” em cães deformados se tornou crescente. A figura do cão funcional estava cada vez menos associada aos cães ingleses de exposição (PUTNAM, 1999).
Em 1.898 a maioria dos criadores, que criavam cães para exposição, ganharam o debate e o padrão inglês deliberadamente eliminou a representação do Bulldog funcional, e fizeram outras mudanças que permitiram aos criadores de cães para exposição transformarem rapidamente “os guerreiros” de antigamente, na caricatura dos Bulldogs Ingleses de hoje. E para transformar os seus cães ainda mais rapidamente, o Pug foi reintroduzido extensivamente por cerca de mais meio século. A introdução do Pug foi considerada a culpada pela perda da funcionalidade dos antigos Bulldogues Ingleses (Olde English Bulldogges) (PUTNAM, 1999).
Nos séculos XVII e XVIII os colonizadores ingleses levaram para a América seus Bulldogs de Performance e os BearDogs por três razões: Para controlar a pecuária, caçar animais selvagens e para proteção pessoal. Estes colonizadores não tinham a vaidade de usar seus cães em combate contra ursos e touros para entretenimento como seus primos do velho continente. Então eles criaram seus Bulldogues para serem menos violentos e mais fáceis de serem treinados (PUTNAM, 1999; AMERICAN BULLDOG KENNEL CLUB, 2012).
Estes cães se tornaram conhecidos por muitos nomes diferentes, conforme as variedades regionais. A maioria dos nomes eram combinações ou variações dessas quatro palavras “Old", “English”, “White” e “Bulldog”, como por exemplo, Old English White, White English Bulldog, Old English ou simplesmente (e mais comumente) Bulldog (PUTNAM, 1999).
Os cães de algumas linhagens não eram brancos, nem predominante brancos. Estes cães eram chamados de “Brindle Bulldogs”. No Sul dos Estados Unidos a comunidade negra manteve os “Brindle Bulldogs” e ainda há um criador negro atualmente em Ohio que mantém essa tradição viva e ainda cria Bulldogs tigrados e dourados. Preconceituosamente os fazendeiros brancos achavam que os Bulldogs brancos eram mais inteligentes que a versão colorida. Há três razões válidas para a criação de Bulldogs brancos: 1- branco é uma cor altamente recessiva e seria um garantia contra cruzamentos entre raças, 2 - a cor branca era mais visível na caça contra javalis selvagens, especialmente a noite, 3 - criando o branco eles estariam voltando à criação dos Alants. Por outro lado há muitos problemas de saúde associados aos cães brancos e esta é uma cor ruim para um cão de guarda (PUTNAM, 1999).
John D. Johnson nomeou a raça de “American Bulldog”. Durante a infância e adolescência do Sr. Johnson, nos anos 20 e 30, esses cães eram conhecidos como Pit Bulldogs no norte da Geórgia, porque algumas vezes eles eram usados para lutar contra cães e grandes animais selvagens nos ringues. Ele foi a primeira pessoa a vendê-los ao publico em geral nos anos 50, então o nome que ele usou “American Pit Bulldog” foi o primeiro nome que se tornou vastamente usado fora do Sul rural americano. Em 1.985 Johnson percebeu que as pessoas estavam confundindo essa raça com o American Pitbull Terrier, então ele mudou o nome da raça para American Bulldog. O amigo do Sr. Johnson, Joe Painter também contribuiu para a mudança do nome (PUTNAM, 1999; CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE CINOFILIA, 2005).
No inicio dos anos 70 vários criadores resolveram reconstruir e resgatar a raça, nomes esses que são encontrados nos pedigrees de hoje em dia, por exemplo Scott, Williamson, Bailey, Tate e Johnson. Eles foram os responsáveis por preservar o Old English Bulldog e fazer com que a raça permaneça até hoje (PUTNAM, 1999).
Passaram a existir três linhagens principais do Bulldog Americano: Johnson, Scott e Painter (PUTNAM, 1999; AMERICAN BULLDOG KENNEL CLUB, 2012).
1- A linha Johnson é caracterizada por ossatura pesada e corpo grande, cabeças grandes e quadradas, no geral possuem o fuço curto, mordedura prognata inferior definida, possuem rugas na face, cotovelos um pouco abertos para fora e o peito muito amplo. Esse tipo tem a inserção de sangue dos “Sour Mug”, o que os deixam com o aspecto mais distante do American PitBull, são conhecidos por terem mais “tipicidade” (PUTNAM, 1999; AMERICAN BULLDOG KENNEL CLUB, 2012).
2- A linha Scott tem o tipo um pouco mais leve que os do tipo Johnson, tem o focinho mais longo, eles possuem um prognatismo inferior leve e podem não ter prognatismo inferior.
3- A linha Painter possui pernas mais longas e ocasionalmente possuem o focinho mais curto que os do tipo Scott, porém com estrutura similiar. A maioria dos Painter foram desenvolvidos como cães de briga e podem ter o temperamento mais agressivo que os demais cães das linhas de performance (PUTNAM, 1999; AMERICAN BULLDOG KENNEL CLUB, 2012).
Os fundadores da raça Scott e Johnson compraram cães uns dos outros e cruzaram cães de suas linhas. O Painter comprou tanto cães do Johnson como do Scott. O Johnson começou a criar nos anos 30, o Scott nos anos 60 e o Painter nos anos 70. Somente o Johnson e o Scott continuaram criando a raça, e essas duas linhas posteriormente se tornaram a base para o padrão da raça (PUTNAM, 1999).
No inicio anos 80 houve um conflito entre o Scott e o Johnson, que começaram a ficar menos amigos depois que começaram as exposições da raça nos Estados Unidos pela NKC (National Kennel Club), na qual um tipo começou a ganhar do outro (PUTNAM, 1999).
Depois de muita discussão entre a comunidade dos criadores foram então criados dois padrões diferentes para a raça: A linhagem dos cães mais leves e de performance teve seu tipo reconhecido como “Standard” e os cães mais pesados foram reconhecidos como sendo do tipo “Bully” (PUTNAM, 1999).
2.1.1 Padrão da raça Bulldog Americano
Segundo a Confederação Brasileira de Cinofilia (2005) a raça Bulldog Americano é originária dos Estados Unidos da América, com utilização para guarda e deve apresentar as seguintes características (Figura 1):
Figura 1: Morfologia de um cão da raça Bulldog Americano
Fonte: Traduzido de Backwood's Bulldog Club, 2012.
· Aparência geral: cão poderoso, mostrando força, resistência, inteligência e vivacidade. Poderosamente construído, mas ativo.
Características: as características essenciais do American Bulldog são as que o tornam capaz para apanhar tanto gado quanto porcos selvagens, como cão de guarda pessoal e da propriedade. Essas tarefas requerem um cão poderoso, ágil e de confiança, com uma cabeça grande e poderosos maxilares. O American Bulldog é corajoso o bastante para encarar um terrível boi ou um intruso. Agressivo o bastante para lutar com um urso ou um porco selvagem, mas gentil o bastante para um cão de companhia e amável com a família.
Temperamento: muito obediente e fiel a sua família. Muito amigável durante o dia, porém muito agressivo à noite, especialmente com pessoas desconhecidas. Deve ser impaciente, corajoso e confiante sem sinal de medo ou timidez.
Tamanho/ Peso:
ü Bully: Machos com 23 a 32 polegadas na cernelha. Peso: 90 - 150 lbs. Fêmeas com 20 a 28 polegadas na cernelha (Figura 2). Peso: 70 - 130 lbs;
Figura 2: Bulldog Americano tipo Bully
Fonte: Pedigree Database, 2012.
ü Standard: Machos com 22 a 28 polegadas na cernelha. Peso: 70 - 100 lbs. Fêmeas com 18 a 26 polegadas na cernelha (Figura 3). Peso: 50 - 80 lbs;
Figura 3: Bulldog Americano tipo Standard
Fonte: Bybees, 2012.
· Cabeça: Grande e larga, plana no topo dando uma aparência quadrada com focinho de comprimento de curto para médio e bem musculoso. A união do focinho com o crânio, forma um bem definido stop;
ü Crânio: grande, plano, profundo e largo entre as orelhas. Visto por cima, o crânio é quadrado. Os músculos das bochechas são proeminentes.
ü Focinho: deve ser largo e profundo, nem longo nem estreito. O comprimento não deve ser menor que 3,8 cm nem maior que 7,5 cm (comprimento ideal: 5 a 6,8 cm);
ü Trufa: grande com largas narinas e abertas. Pode ser de qualquer cor, porém a de pigmentação escura é preferida;
ü Maxilares: a mandíbula deve ser ligeiramente mais protrusa que o maxilar superior, em pelo menos 0,6 cm a 2,5 cm (prognatismo inferior), dependendo do tamanho do cão e o formato da cabeça. Falta: prognatismo superior.
· Olhos: inseridos separados, de forma amendoada para redonda, de tamanho médio. Cor normal, marrom. Cores aceitáveis: cinza, verde ou azul claro.
· Orelhas: de tamanho pequeno para médio, portadas próximas à cabeça, pesadamente ou dobradas para trás em rosa.
· Pescoço: ligeiramente arqueado, de comprimento moderado. Muito musculoso - quase igual ao comprimento da cabeça.
· Tronco:
ü Peito: profundo e moderadamente largo, com amplo espaço para o coração e pulmões;
ü Costelas: bem arqueadas junto à coluna, dando ao corpo profundidade o bastante para atingir pelo menos os cotovelos, ou em cães adultos, um pouco mais abaixo;
ü Linha Superior: inclina suavemente de uma bem marcada cernelha ao musculoso e largo dorso;
ü Lombo: curto e largo, e ligeiramente arqueado, unindo-se à uma garupa moderadamente inclinada;
ü Flanco: moderadamente esgalgado e firme;
ü Faltas: dorso selado; linha superior inclinada;
· Cauda: forte e grossa na raiz, afinando para a ponta. Falta: cauda enrolada sobre o dorso.
· Pelagem: curto e macio. Falta: longo ou ondulado.
· Patas: redondas, de tamanho médio, bem arqueadas e firmes.
· Cor: branco sólido. Branco com todas as tonalidades de tigrado (branco, vermelho, amarelo, azul, marrom, preto ou cinza). Vermelho e branco; castanho e branco; bege e branco; cor de cervo e branco; preto e branco; marrom e branco; mogno e branco; creme e branco. Preto sólido e qualquer outra cor sem um mínimo de 25% de branco, não é aceitável.
· Membros Anteriores: a combinação dos principais componentes do conjunto dos anteriores, ombros até as patas, deve ser musculosa e ligeiramente inclinada. As pernas devem ser retas.
· Estrutura óssea: de media para pesada, capaz de aguentar um cão grande.
· Membros Posteriores: largos e musculosos, mostrando força e velocidade, não tão fortes como os ombros.
· Movimentação: quando em trote, a movimentação é sem esforço, suave, poderosa e bem coordenada, mostrando bom alcance e direção. Linha superior permanece em nível com somente uma ligeira flexibilidade para indicar agilidade. Vistas de qualquer posição, as pernas não viram nem para fora nem para dentro; as patas não cruzam ou interferem no movimento da outro. A medida que a velocidade aumenta, as patas tendem a convergir para a linha central de equilíbrio. Movimentação pobre deve ser penalizada na medida em que prejudica a sua habilidade para desenvolver suas tarefas.
· Desqualificação:
ü Máscara preta muito cheia;
ü Jarrete de vaca;
ü Mordedura em tesoura ou torquês;
ü Patas espalmadas;
ü Olhos louçados;
ü Cauda cortada.
· Faltas: qualquer desvio dos termos deste padrão deve ser considerado como falta e penalizado na exata proporção de sua gravidade.
· Notas:
ü Os machos devem apresentar os dois testículos, de aparência normal, descidos e acomodados na bolsa escrotal.
ü Todo cão que apresentar qualquer sinal de anomalia física ou de comportamento deve ser desqualificado.
2.2 A HISTÓRIA DO “OLDE ENGLISH BULLDOGGE”
O Olde English Bulldogge teve origem na Inglaterra entre 1.600 e 1.700. Estes foram os primeiros ancestrais para muitas das raças de cães do tipo Bull que existem hoje, incluindo o Bulldog Inglês e o Bulldog Americano (INTERNATIONAL OLDE ENGLISH BULLDOGGE ASSOCIATION, 2012).
Esses cães foram criados para participar de esportes sangrentos como lutas com touros, que eram muito populares na Inglaterra, se fazendo necessário cães de grande coragem e agilidade (INTERNATIONAL OLDE ENGLISH BULLDOGGE ASSOCIATION, 2012).
Por volta de 1.835, foram aprovadas leis na Inglaterra proibindo lutas entre cães com touros, sendo assim o principal propósito da existência dos Olde English Bulldogge desapareceu do seu país, e com isso, dentro de uma década o número de Bulldogs diminuiu drasticamente chegando quase à extinção (INTERNATIONAL OLDE ENGLISH BULLDOGGE ASSOCIATION, 2012).
Criadores de cães para exposição finalmente decidiram reconstruir a raça, porém queriam baixar o temperamento agressivo do original Olde English Bulldogge. Para isso eles cruzaram os remanescentes dos cães existentes com outras raças e ao longo dos anos que se seguiram, eles desenvolveram o Bulldog Inglês moderno. Infelizmente, este cão moderno é feito com quase todos os tipos de problemas genéticos de saúde (INTERNATIONAL OLDE ENGLISH BULLDOGGE ASSOCIATION, 2012).
O moderno Olde English Bulldogge (OEB) é uma reconstrução do Old Bulldog original do século XVII e XVIII. Vários cruzamentos genéticos têm sido usados, cuidadosamente pensados e planejados em programas de melhoramento para obter este objetivo.
A fundação da maioria dos OEB de hoje pode ser atribuída ao Bulldog Inglês, Bulldog Americano, American Pit Bull Terrier e ao Mastiff (INTERNATIONAL OLDE ENGLISH BULLDOGGE ASSOCIATION, 2012).
Estas diferentes raças foram usadas de forma muito seletiva em várias combinações para obter as características físicas desejadas do original Olde English Bulldoggege. Os resultados visam um bom Bulldog, com grande capacidade atlética, muito mais saudável fisicamente e sem a maioria (ou todos) os problemas que afligem muitos dos Bulldogues modernos. O objetivo de todos os criadores de OEB deve ser produzir cães geneticamente saudáveis (INTERNATIONAL OLDE ENGLISH BULLDOGGE ASSOCIATION, 2012).
2.2.1 Padrão da raça Olde English Bulldogge
O objetivo de todo criador de Olde English Bulldogge deve ser atingir a perfeição, visando a saúde da raça, tipo e temperamento (INTERNATIONAL OLDE ENGLISH BULLDOGGEGE ASSOCIATION, 2006).
Segundo a International Olde English Bulldoggege Association (2006) a raça Olde English Bulldogge deve apresentar as seguintes características (Figura 4):
Figura 4: Morfologia de um cão da raça Olde English Bulldogue
Fonte: Traduzido de Meester Bulldogs, 2012.
· Descrição Geral: O Olde English Bulldogge ideal é um cão leal, corajoso, de tamanho médio, com uma cabeça grande e poderosa, com corpo robusto e musculoso.
ü É muito importante que os Olde English Bulldogges sejam atléticos e tenham boa saúde; tanto os machos quanto as fêmeas devem reproduzir naturalmente.
ü O OEB (Olde English Bulldogge) devem ser desprovido de todos os problemas respiratórios e serem capaz de desfrutar das atividades ao ar livre, sem preocupação, exceto no extremo calor ou frio.
· O temperamento é muito estável e confiante, tornando-se um companheiro leal e protetor, como um membro da família. Os animais desta raça gostam de agradar seus donos e são muito treináveis.
· Sua vida média é de 10 a 14 anos.
· Cabeça: Grande e imponente, moderadamente afundada entre os olhos (sulco medial). A circunferência da cabeça deve ser igual ou maior que a altura do cão no ombro. A cabeça estreita ou que se pareça muito pequena para o corpo é uma falta.
· Orelhas: as orelhas em formato de rosa inseridas sobre os lados da cabeça são preferidas. Orelhas caídas são aceitáveis, desde que sejam pequenas e que não se assemelhe com as de um “hound”. Orelhas completamente em pé e que estão em cima da cabeça devem ser consideradas uma falta grave.
· Focinho: largo, profundo e curto, com rugas moderadas. A mordida deve ser prognata. Os caninos inferiores não devem sobressair. Focinho muito longo (mais de 3 polegadas) ou mordida em tesoura são consideradas faltas desqualificantes. O focinho não deve ser inferior a 1 ½ polegadas. A torção mandibular é uma falta desqualificante.
· Olhos: afastados e de tamanho moderado. Qualquer cor é aceitável. No entanto, os olhos diferentes e esquisitos (um escuro, um azul ou louçados) devem ser considerados não preferenciais. Olhos deformados ou esbugalhados são considerados uma falta grave. A falta de pigmentação em torno dos olhos é indesejável. Olhos cruzados e assimétricos são considerados uma falta desqualificante.
· Trufa: larga com narinas abertas, sem nenhum sinal de restrição de ar. O nariz não deve ser embutido entre os olhos. A distância do “stop” até a extremidade do focinho deve ser de pelo menos 1 ½ polegadas. O nariz deve ter uma cor sólida. Falta de pigmento é uma falta grave. Um focinho com ausência de pigmentação é uma falta desqualificante.
· Pescoço: curto, de comprimento médio e muito musculoso.
· Peito: costelas bem arqueadas (arredondado), peito largo e profundo. A profundidade do peito deve chegar pelo menos até os cotovelos. Uma caixa vazia ou estreita deve ser considerada uma falta grave.
· Dorso: Os machos devem parecer quadrados e equilibrados. As fêmeas devem ser semelhantes tendendo a ter corpo um pouco mais longo. Dorso curto, com uma leve inclinação dos ombros para a garupa é o preferido (levemente descendente). Dorso plano é aceitável, desde que a cauda não seja inserida diretamente em cima do dorso.
· Ombros: Os ombros devem ser bem colocados, muito bem angulados, permitindo uma boa movimentação. Ombros retos são uma falta.
· Pernas: As pernas devem ser retas e bem afastadas, nem curvada para fora, nem viradas para dentro. Devem ter massa óssea significativa. Os cotovelos devem estar relativamente justos ao corpo. A falta de massa óssea é muito indesejável. Cotovelos que estão soltos ou "fiddle front” (frentes de violino) são uma falta desqualificante. Pernas abertas para fora (Leste/Oeste) são consideradas uma falta grave. Pernas traseiras devem ter boas angulações de joelho, de modo a permitir uma boa movimentação. Os membros devem ser bem musculosos. Pernas retas e pouco anguladas são uma falta grave. Jarretes de vaca são uma falta desqualificante.
· Movimentação: Os cães devem ter uma marcha equilibrada, com boa propulsão traseira complementada por um amplo alcance dos membros dianteiros, permitindo que o cão possa cobrir o solo poderosamente. Os cães devem trotar sozinhos, cães estimulados a andar ou sendo arrastados como “um caranguejo” é considerado uma falta grave.
· Patas: redondas e firmes, tanto as anteriores como posteriores, os metacarpos devem ser fortes. Metacarpos fracos e/ou pés espalmados são faltas desqualificantes.
· Altura: Machos - 18 a 20 polegadas na cernelha. Fêmeas - 17 a 19 polegadas na cernelha.
· Peso: entre 50 a 70 libras para fêmeas e 65 a 85 libras para os machos. A altura e o peso acima do padrão devem ser desencorajados, contudo não há nenhuma penalidade desde que o cão seja proporcional, correto e equilibrado.
· Cor: Qualquer cor é aceitável, exceto Merle, sem preferência por nenhuma coloração. A pelagem é curta. Uma pelagem ondulada ou comprida é uma falta desqualificante. Não deve haver sinais de franjas nas pernas ou na área do pescoço, que também é considerada uma falta desqualificante.
· Cauda: A cauda longa que atinge o jarrete é preferida, não deve formar um gancho e pode se assemelhar a uma alavanca de bomba d’água antiga. Caudas curtas, enroladas ou cortadas são aceitáveis. A cauda longa deve ser portada baixa e nunca sobre o dorso.
· Temperamento: Disposto, extrovertido e feliz. É naturalmente um guardião, porém a agressão a humanos sem provocação é uma falta desqualificante.
2.3 CONTROLE GENÉTICO PARA COLORAÇÃO DE PELAGEM EM CÃES
O pigmento responsável pela coloração nos mamíferos é a melanina, uma proteína obtida da polimerização do aminoácido Tirosina sob ação de enzimas. A síntese de melanina ocorre em células denominadas Melanócitos, através da ação de enzimas, das quais a Tirosinase exerce um papel importantíssimo. Depois de sintetizada a melanina é depositada nos melanossomas, que nesta fase podem ser chamados de grânulos de melanina, que migram pelos prolongamentos citoplasmáticos dos melanócitos, onde são fagocitados pelos queratinócitos e se concentram na camada de queratina. Na sequência, os grânulos de melanina são degradados e a melanina é eliminada na superfície cutânea ou nos pêlos (RUVINSKY, 2001; TENSET TECH, 2012).
A melanina pode ser classificada em dois tipos: 1- Eumelalina, responsável pela escala de coloração que vai do marrom (castanho) ao preto; 2- Feomelanina, responsável pela escala de coloração que vai do amarelo ao vermelho (VETGEN, 2012).
Há muitos anos, os pesquisadores têm obtido conhecimentos a respeito de vários loci¹ que são responsáveis pelos padrões das cores que são observadas nos cães (VETGEN, 2012).
Cada gene é responsável pela expressão fenotípica de uma ou mais características, atuando de forma independente ou em conjunto com outros genes na formação e na distribuição dos pigmentos: eumelanina e feomelanina, nos animais (VETGEN, 2012).
Existe uma enorme variedade de pelagens em cães, resultado da manifestação conjunta de diversos genótipos² e também do efeito da epistasia³ que alguns genes exercem sobre outros. Por causa das complexas interações entre os genes, é possível que o fenótipo de determinada cor fique escondida por gerações na descendência de um cão (VETGEN, 2012).
Basicamente pode-se dividir os genes que atuam sobre o padrão das pelagens em dois grupos: 1- genes de cores, que são os genes que afetam a cor do pigmento dos pelos; 2- genes padrão, que são os genes que afetam a distribuição de uma determinada cor (TENSET TECH, 2012).
Existem mais de dez diferentes genes que atuam sobre o fenótipo da coloração de pelagens em cães, contudo, neste trabalho somente serão abordados os genes de interesse para a raça Bulldog Americano.
2.3.1 Locus B
O gene deste locus é responsável pela produção da proteína “Tyrosinase Related Protein 1” (TYRP1), que determina a concentração de eumelanina no pelo, mucosas, focinho e coxins (RUVINSKY, 2001; SCHMUTZ, 2012).
Este gene possui dois alelos: 1- “B” dominante, que promove uma maior concentração de melanina no pelo, determinando o fenótipo preto (Figura 5); 2- “b” recessivo, faz com que a eumelanina seja pouco concentrada resultando no fenótipo marrom. Existem variações do alelo recessivo, “bs”, “bd”, “bc”, resultando nas diversas tonalidades do marrom (RUVINSKY, 2001; SCHMUTZ, 2012). Na raça Bulldog Americano o marrom é chamado de chocolate (Figura 6).
| Figura 5 - Animal preto “BB” ou “Bb”
Figura 6 - Animal marrom “bb”Devido a seleção feita durante muitas décadas para que os cães da raça Bulldog Americano tivessem pelagem branca ou malhada de branco, é difícil encontrar cães sólidos (todos de uma só cor) pretos ou chocolates (PUTNAM, 1999).
2.3.2 Locus A
Também chamado de Locus Agouti, o gene deste locus é responsável pela produção da proteína “Agouti Signalling Protein” (ASIP), que controla a quantidade e a localização da eumelanina e da feomelanina (RUVINSKY, 2001; SCHMUTZ, 2012; VETERINARY GENETICS LABORATORY, 2012).
Este gene possui quatro alelos: 1 - “Ay”, dominante, origina um cão com feomelanina nos pelos e mucosas, focinho e coxins com eumelanina (Figura 7), podendo ser Fulvo (amarelo até vermelho) ou Sable (alguns pêlos pretos - eumelanina entremeados aos pêlos amarelos ou vermelhos); 2 - “aw” resulta numa pelagem Agouti ou pelagem de lobo; 3 - “at” origina a marcação “tan”, podendo ser preto e “tan” (conhecido como “black-and-tan”) ou marrom e “tan”; 4 - “a” resulta no preto recessivo, é relativamente raro nos cães, mas algumas raças, como a Puli e o Pastor alemão preto, possuem a coloração preta devido a este alelo recessivo (RUVINSKY, 2001; SCHMUTZ, 2012).
A ordem de dominância destes alelos é: Ay > aw > at > a.
| Figura 7 - Animal Ay_ com pelagem feomelanina e focinho eumelanina
| * Observar que no locus “B”, estes animais são B_ (BB ou Bb), pois, expressam o fenótipo preto nos olhos, focinho, unhas, etc. Fonte: Pedigree Database, 2012.
A pelagem “AY” quando manifesta a formação de feomelanina escura pode se assemelhar a coloração chocolate (Figura 8), contudo em animais com genótipo para preto no gene “B” esta identificação pode ser feita pela cor do focinho, ou seja, se o focinho é preto, a pelagem avermelhada é feomelanina e não eumelanina “bb” (SCHMUTZ, 2012).
| Figura 8 - Pelagem com feomelanina escura |
| Fonte: Pedigree Database, 2012.
O tan pode estar em áreas restritas (sobrancelhas, peito, patas e cauda) ou espalhada deixando a eumelanina restrita a uma única mancha no meio das costas (capa preta) (SCHMUTZ, 2012). È muito raro encontrar animais com marcação tan na raça Bulldog Americano, porém esta pelagem pode ser vista em uma das raças de sua formação, a Olde English Bulldogges (Figura 9).
| Figura 9: Exemplar da raça Olde English Bulldogge com pelagem tan (at_)
| Fonte: Breeder Infocenter, 2012.
2.3.3 Locus E
Este locus é conhecido como locus “Extensão”, onde o gene deste locus é responsável pela produção da proteína “melanocortin receptor 1 (MC1R)”. Assim como o locus “A”, este gene também regula a quantidade e localização da eumelanina e da feomelanina (RUVINSKY, 2001; CANDILLE, 2007; SCHMUTZ, 2012).
Este gene possui quatro alelos: 1- “Em” origina uma máscara melânica, que nos casos dos cães que possuem “B” é conhecida como máscara negra (Figura 10) e nos cães “bb” a máscara será marrom (chocolate); A área de eumelanina fica restrita a uma máscara na região dos olhos e focinho, no resto do corpo se expressa a feomelalina; 2- “EG” este alelo foi descoberto recentemente e é responsável pela pelagem dominó na raça Afghan Hound; 3- “E” provoca a distribuição uniforme da eumelanina (preto e do marrom). 4- “e” restringe as áreas de eumalanina à íris, nariz, unhas e coxins. Nos pêlos se manifesta a feomelanina (amarelo dourado ao avermelhado) (RUVINSKY, 2001; SCHMUTZ, 2012; LABOGEN, 2012).
A ordem de dominância destes alelos é: EM > EG >E > e.
| Figura 10: Animal Máscara negra (EM_ e B_)
| Fonte: Got Pets on line, 2012.
2.3.4 Locus K
Este gene é conhecido como “preto dominante” e responsável pela produção de “Beta-defensin 103”. Este gene possui três alelos: 1- “KB”, denominado de preto dominante, possui distribuição uniforme de eumelanina (preto e marrom), tendo ação epistática sobre o locus “A”; 2- “kbr” origina a pelagem tigrada na presença de “AY” (Figura 11); 3- “ky” não expressa fenótipo próprio, permitindo a expressão total do locus A (RUVINSKY, 2001; KERNS et al., 2007; SCHMUTZ, 2012; VETGEN, 2012).
A ordem de dominância destes alelos é: Alelos KB > Kbr > ky
| Figura 11: Animal tigrado, expressão do alelo “kbr”
| Fonte: Simply Incred a Bull, 2012.
Os loci “A”, “B”, “E” e “K” são os principais envolvidos na determinação da cor da pelagem, sendo corresponsáveis pela concentração e distribuição da eumelanina e da feomelanina nos pelos, na Figura 12 podem ser observadas as interações entre estes genes, considerando o fator hierárquico e seu papel na cor da pelagem, bem como os efeitos das interações epistáticas (VETGEN, 2012).
Figura 12: Interação entre os loci “A”, “B”, “E” e “K”
Fonte: VETGEN, 2012.
2.3.5 Locus D
É conhecido como um locus de “diluição”, responsável pelo controle da intensidade da coloração. Este gene possui dois alelos: 1- “D” expressa a coloração uniforme intensa; 2- “d” expressa o fenótipo diluído que é uma mutação recessiva da proteína Melanophilin MLPH). Em relação a eumelanina, a pelagem preta fica diluída à cinza (azul, Figura 13) e a chocolate à Isabella. Já a feomelanina diluída recebe o nome de “blue fawn” (quando o animal é “B”) ou “Isabella fawn” (quando o animal é “bb”) (RUVINSKY, 2001; SCHMUTZ, 2012; VETGEN, 2012).
A ordem de dominância destes alelos é: Alelos D > d.
| Figura 13: Animal com pelagem diluída (dd) do preto, expressando o fenótipo azul |
| Fonte: Manstoppers, 2012.
| Figura 14: Animal com pelagem diluída (dd) da feomelanina expressando o fenótipo “blue fawn”
| Fonte: Manstoppers, 2012.
2.3.6 Locus S
Este gene (MITF) é responsável pela distribuição (marcação) das áreas brancas no pêlo. Não afeta íris, nariz, unhas e coxins. Este gene possui quatro alelos: 1- “S” origina cães sem regiões brancas. 2- “Si” expressa o fenótipo denominado “Colar irlandês”, que tem como característica focinho e/ou patas e/ou ponta da cauda e/ou tórax e/ou ventre e/ou pescoço marcado de branco (Figura 15). 3- “Sp”, resulta em indivíduos malhados de branco. 4- Sw = Animal com pelagem toda branca podendo apresentar mancha pigmentada na cauda, orelha ou pata, é bastante comum na raça Bulldog Americano, devido ao processo de seleção exercido sobre a raça durante sua formação (PUTNAM, 1999; RUVINSKY, 2001; SCHMUTZ, 2012).
A ordem de dominância destes alelos é: Alelos S > Si > Sp > Sw
| Figura 15: Animal com colar irlandês “Si”
| Fonte: Pedigree Database, 2012.
| Figura 16: Animal malhado de branco “Sp”
| Fonte: Pedigree Database, 2012.
| Figura 17: Animal com pelagem branca “Sw”
| Fonte: Pedigree Database, 2012.
3 METODOLOGIA
3.1 LOCAL
O presente estudo foi desenvolvido no Canil Sunshine Land, no município de Teresópolis, Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro.
O Canil Sunshine Land é especializado na criação de Bulldog Americano, tendo atualmente 35 reprodutores, sendo 10 machos e 25 fêmeas. Possui o título de melhor criador nos anos de 2008, 2010 e 2011 e os cães de sua criação são considerados os melhores exemplares da raça no Brasil desde 2007, pelo ranking da Confederação Brasileira de Cinofilia. O canil atualmente produz cerca de 30% dos exemplares registrados anualmente da raça.
3.2 DESCRIÇÃO DO TRABALHO
Em Junho de 2011, o canil Sunshine Land adquiriu um exemplar da raça Olde English Bulldogge de nome Bullforce Blue Euro (Figura 18) do canil Bullforce, localizado na Holanda. Embora, registrado como Olde English Bulldogge, este cão é filho do padreador Bullforce Sharky, da raça Olde English Bulldogge (Figura 19) com a matriz Bullforce Princess, da raça Bulldog Americano (Figura 20).
Tanto o Bullforce Blue Euro, como os seus pais possuem em seu genótipo o alelo diluidor em homozigose (dd) expressando um fenótipo denominado azul ou cinza.
Figura 19 - Bullforce Blue Euro
Fonte: Própria autoria, 2012.
Figura 19 - Padreador Bullforce Sharky da raça OEB
Figura 20 - Matriz Bullforce Princess da raça Bulldog AmericanoNa segunda semana de fevereiro de 2012, o Bullforce Blue Euro foi acasalado através de monta natural, com a matriz da raça Bulldogue Americano SunshineBulls’ Candice of Bullybred (Figura 21), filha do padreador Barbosa's Bossman of Maple Grove (Figura 22) com a matriz Ricabal's Mariposa (Figura 23).
A SunshineBulls’ Candice of Bullybred é registrada com pelagem chocolate, sua mãe possui pelagem tigrada e seu pai, dourada (feomelanina).
Figura 21: SunshineBulls’ Candice of Bullybred
Fonte: Pedigree Database, 2012.
Figura 22 - Barbosa's Bossman Figura 23 - Matriz Mariposa 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A ninhada resultante do acasalamento do padreador Bullforce Blue Euro com a matriz SunshineBulls´s Candice of Bullybred, nasceu em 11 de abril de 2012. Nasceram 10 filhotes, sendo 3 fêmeas e 7 machos.
Os filhotes têm grau sanguíneo de 75% Bulldogue Americano e 25% Olde English Bulldogge, já que a matriz é pura da raça Bulldog Americano e o padreador meio sangue.
Dos 10 filhotes nascidos, 8 apresentaram fenótipo diluído, sendo 4 Azuis e 4 Isabellas.
A princípio não eram esperados nenhum filhote Azul ou Izabella na F1, pois, nem a matriz nem sua ascendência mais recente apresentam tal fenótipo. A idéia inicial era gerar cães heterozigotos “Dd” e a partir deles conseguir na F2 filhotes diluídos.
Contudo, como descreve Ruvinsky (2001), Schmutz (2012) e Vetgen (2012), o fenótipo diluído é recessivo ele pode ter ficado escondido durante muitas gerações em cães portadores do alelo (Dd), mas que não expressavam o fenótipo, já que o não diluído é dominante.
Tais resultados podem ser embasados e descritos pelo Vetgen (2012) que afirmam que por causa da complexidade das combinações entre os genes e os alelos de cada gene é possível que o fenótipo de determinada cor fique escondida por muitas gerações na descendência de um cão.
5 CONCLUSÕES
Embora o fenótipo diluído seja raro nesta raça, o alelo diluidor encontra-se presente, permitindo assim fazer uma seleção para o aumento da freqüência de cães azuis (blue), isabellas e “fawns” nesta raça.
Estudos sobre coloração de pelagens são muito escassos mundialmente, sendo que para a raça Bulldog Americano praticamente não existem informações sobre genética de pelagens. No Brasil nenhuma fonte foi encontrada, justificando que novos estudos devam ser realizados.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo continua sendo realizado no Canil Sunshine Land. Em Setembro de 2012, o “Bullforce Blue Euro” foi acasalado através de monta natural, com a matriz da raça Bulldogue Americano chamada: “Bowman’s Blue” (Figura 34), fêmea esta de cor Tigrada de Azul. A gestação já confirmada e a data prevista para o nascimento da ninhada é na segunda semana de Novembro.
Em Outubro de 2012, o “Bullforce Blue Euro” foi acasalado através de monta natural, com a matriz da raça Bulldogue Americano chamada “BullyBred Black Widow” (Figura 31), fêmea esta de cor Tigrada de preto. Gestação já confirmada, com data prevista para nascimento da ninhada na segunda semana de Dezembro.
REFERÊNCIAS
AMERICAN BULLDOG KENNEL CLUB. A. B. K. C. Standards. Disponível em: <http://www.abkc.fws1.com/custom.html>. Acesso em: 02 dez. 2012.
CANDILLE, S. I.; KAELIN, C. B.; CATTANACH, B. M.; YU, B.; THOMPSON, D. A.; NIX, M. A.; KERNS, J. A.; SCHMUTZ, S. M.; MILLHAUSER, G. L; BARSH, G. S.. A b-Defensin Mutation Causes Black Coat Color in Domestic Dogs. Science, V.318, P.1418-1423, 2007.
CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE CINOFILIA - CBKC. Padrão Oficial da Raça Bulldog Americano. 2005. Disponível em: <http://www.cbkc.org/padroes/pdf/grupo11/bulldogamericano.pdf>. Acesso em 23 out. 2012.
INTERNATIONAL OLDE ENGLISH BULLDOGGE ASSOCIATION - IOEBA. IOEBA Breed Standard. 2006. Disponível em: <http://www.ioeba.net/Old_english_bulldogge_breed_standard.htm>. Acesso em: 23 out. 2012.
KERNS, J. A.; EDWARD, J.; CARGILL, E. J.; CLARK, L. A.; CANDILLE, S. I.; BERRYERE, T. G.; OLIVIER, O.; LUST, G.; TODHUNTER, R. J.; SCHMUTZ, S.M.; MURPHY, K. E.; BARSH, G. S.. Linkage and Segregation Analysis of Black and Brindle Coat Color in Domestic Dogs. Genetics, v.176, p.1679-1689, 2007.
PUTNAM, D.. The Working American Bulldog. Woodside, Califórnia: Bulldog Press, 1999. 189p.
RUVINSKY, A.; SAMPSON, J.. The genetics of the dog. Londres, Inglaterra: CABI Publishing, 2001. 564p.
SCHMUTZ, S. M.. Genetics of coat color and type in dogs. Site construído e mantido pela Dra. Sheila M. Schmutz - Department of Animal and Poultry Science - College of Agriculture and Bioresources - University of Saskatchewan, Saskatoon, Canada. Disponível em: <http://homepage.usask.ca/~schmutz/dogcolors.html>. Acesso em 31 out. 2012.